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Dados atualizados em: 11/02/2026
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Histórico

No Princípio era Selva

A floresta milenar que revestia inteiramente os 386 Km² do atual município de Antônio Prado, permaneceu intocável, como ilha inacessível, até pelo ano de 1880, quando Simão David de Oliveira se estabeleceu na margem direita do Rio das Antas.

 

Fundação e Implantação da Colônia

 

Com a expansão da imigração na região da Serra Gaúcha, o Governo Imperial decidiu pela implantação de mais uma colônia para abrigar imigrantes europeus, na margem direita do Rio das Antas. A partir do local onde havia se estabelecido Simão David de Oliveira, junto à foz do Rio Leão e do Arroio Tibre, foi aberta uma primeira “picada” que dava acesso à nova colônia. Este caminho até hoje chama-se como “Passo do Simão”.

 

Antônio Prado foi a sexta e última das chamadas "antigas colônias da imigração italiana", e foi fundada em maio de 1886. Apartir daí, criada a nova colônia, começaram a ser destinadas verbas públicas para abertura de estradas, construção de balsas, medição de terras, construção de barracões, transporte e acolhimento dos colonos. Apesar dos importantes acontecimentos políticos pelos quais o país passava, como a proclamação da República e a Revolução Federalista em 1893, não houve interferência no processo de implantação de imigrantes em terras devolutas e cobertas de matas da Serra do Rio das Antas.

O porquê do nome "Antônio Prado"

Ficou estabelecido em 1885 pelo Imperador do Brasil e por outras autoridades, que durante o período de 1886/87, seria criado um núcleo de colonização na margem direita do Rio das Antas. Este núcleo não tinha nome, por isso, o Bacharel Manoel Barata Góis, engenheiro-chefe da Comissão de Medição de Lotes, sugeriu e solicitou que fosse dado à nova colônia o nome de Antônio Prado, em homenagem a Antônio da Silva Prado, fazendeiro paulista que como Ministro da Agricultura da época, promoveu a vinda dos imigrantes italianos ao Brasil, e instalou núcleos coloniais no Rio Grande do Sul.

 

Desenvolvimento da Colônia e Emancipação

 

Com o passar dos anos, o desenvolvimento econômico e social da colônia foi aumentando. Em 1888 foi designado um Cura para atender espiritualmente os imigrantes italianos, na pessoa do Padre Alessandro Pelegrini, natural de Cavaion Veronese, Província de Verona na Itália, Comune com o qual Antônio Prado atualmente possui gemellaggio. O corpo de padre Pellegrini encontra-se atualmente sepultado na Igreja Matriz de Antônio Prado.

 

Estando a sede da colônia em local estratégico no caminho entre a capital do Estado e os Campos de Cima da Serra que conduziam até o norte do País, Antônio Prado passou a contar com uma pujança comercial e econômica destacável na região, tanto que, apenas treze anos após a implantação da colônia, alcançou a emancipação política de Vacaria.

 

De fato, em 11 de fevereiro de 1899, por Decreto do então Presidente da Província do Rio Grande do Sul, Antônio Augusto Borges de Medeiros, Antônio Prado foi emancipado de Vacaria, tendo como primeiro Intendente o Coronel Inocêncio de Mattos Müller.

 

No ano seguinte, em 31 de maio de 1900, o Curato foi elevado a Paróquia, sendo primeiro pároco o italiano Pe. Carmine Fasulo, que havia substituído o Pe. Alessandro Pellegrini.

 

Período de estagnação e isolamento

 

Após anos de pujança econômica devido à estrada que conduzia ao norte do país, Antônio Prado sofreu um forte revés com o desvio do traçado da BR-116 que deixou a cidade isolada das vias principais. Com isso, houve um período de estagnação econômica que contribuiu com o êxodo de muitos pradenses para outras terras.

 

Entretanto, o empreendedorismo local buscou novas formas de fortalecer a economia, seja através da agricultura, da indústria e comércio, destacando-se pela produção de trigo, uva e outros bens de subsistência.

 

Patrimônio Histórico e Artístico Nacional

 

O mencionado isolamento do Município foi um fator determinante também na preservação do seu antigo casario em estilo colonial, de madeira e alvenaria, que, nos anos 80 do século XX, foi declarado Patrimônio Nacional pelo IPHAN.

 

Antônio Prado possui o maior conjunto arquitetônico tombado pelo IPHAN em todo o Brasil. O Centro Histórico remete às vilas europeias e passear pelas ruas faz o visitante se sentir num pedacinho da Itália.

 

O que antes era sinal de estagnação e isolamento, hoje é motivo de orgulho e fato determinante para o turismo e o avanço econômico do Município.

 

Reconhecimento de Melhor Vila Turística 2025 pela ONU e 150 anos da imigração italiana

 

Em outubro de 2025, Antônio Prado foi reconhecida como uma das Melhores Vilas Turísticas pela ONU, recebendo este prêmio em reconhecimento aos avanços no desenvolvimento econômico, no turismo urbano e rural e nas boas condições de vida de sua população.

 

Neste mesmo ano, comemorando os 150 anos da imigração italiana, foi inaugurado na entrada da cidade um monumento em homenagem à chegada dos imigrantes, em continuidade com o monumento da saída dos imigrantes que está localizado na cidade de Asiago, Itália, próximo à localidade de Rotzo, cidade também com gemellagio com Antônio Prado.

 

Na ocasião, recordando a relação também entre as sociedades de mútuo socorro existentes na Itália e aquela fundada em Antônio Prado nos primeiros anos do século XX, foi firmado gemellaggio com a cidade de Monselice, na província de Padova, Itália.

 

Museus e Exposições

Antônio Prado tem mais de 120 anos de história, que estão preservados em nosso Museu, que também faz parte da história, pois inclui-se no acervo arquitetônico tombado comO Patrimônio Histórico Nacional.

 

Encontramos em seu interior mais de 500 objetos que contam a história de um cotidiano de muito trabalho e singelas alegrias. O enxoval das italianinhas, as louças e talheres que serviam para degustar um pescoço recheado ou uma fotáia, os cálices para o vinho da pipa, o arado, o lampião, os trituradores. As fotografias dos momentos gloriosos em que a comunidade juntou as mãos e trabalhou duro para embelezar a cidade. Por isso, objetos de uso e roupas de nossos imigrantes formam o acervo contando a história da região.

 

 

Características geográficas:

 

  • Área: 348 km²
  • População: 12.833 hab. est. 2010
  • Densidade: 36,92 hab./km²
  • Altitude: 658 metros
  • Fuso horário: UTC -3